Cenas da Vida Urbana

Textos escritos nas solitárias noites sem luar

27 de maio de 2007

hindus

Os Hindus contam uma história bonita. No princípio dos tempos, uma
grande nuvem espiritual envolvia o mundo constituindo a essência
suprema, e cada criança, ao nascer, recebia uma generosa parcela
deste misterioso ectoplasma que descia sobre ela e passava a ser
sua alma. Com o passar dos séculos, as populações foram aumentando
e já não havia grandes porções de alma para dividir com todos os
que nasciam. Então começaram a aparecer na terra milhares, milhões
de pessoas com almas pequenas. Mas até hoje, de vez em quando,
um engano acontece, e ainda sobra um pedaço maior de alma para
determinados seres humanos. Assim nascem, aqui ali, criaturas de
almas grandes. Pôr toda parte, na terra, em países diversos, essas
pessoas de almas grandes se reconhecem e se atraem ao se verem
pela primeira vez. São em geral simpáticas, inteligentes, honestas,
e se identificam imediatamente uma com as outras, como se fossem
irmãs. Os casos de amor ou amizade à primeira vista, constituem
provas concretas de que estas grandes almas existem. A angústia
de viver está em que, no caso de sermos almas grandes, passamos
as vezes uma vida inteira sem encontrar nossas parceiras genuínas,
aquelas pessoas perfeitamente aptas a se identificarem conosco, a
tornarem-se nossas maiores amigas, ou nossas grandes paixões.
E podem estar a nossa espera ali na esquina, ou num bairro que não
freqüentamos, numa cidade que não visitamos. Todos deveriam falar
com todos, sem constrangimentos, e tentar aproximações novas e
freqüentes. O mundo seria bem melhor se qualquer pessoa desconhecida
dissesse em plena rua: "Taí… gostei de você…vamos tomar um café".

criado por refain    18:19 — Arquivado em: Sem categoria

.

De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada ]
[ são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa… da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro…
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem…

 

Uma pessoa especial me falou sobre a paixão
Disse que é forte e incontrolável, como um tufão
Sempre adorei chuva, relâmpago, tempestade
Mas acho que agora criei receio com a idade

O que sentimos de bom ou mau, não devemos lamentar
Seria bom se, o coração, pudéssemos controlar
Encheria algumas pessoas de promessa boa
E, a outras, não daria ouvidos à toa

Vivemos num mundo de descontroles controlados
Alguns são mais "certinhos", outros mais "descolados"
Ainda desejo e admiro o tufão, apesar do receio
E é ele que busco a cada dia no meu meio

É horrível ter de parar quando ainda me sinto em movimento
Voar, flutuar, em alta velocidade, ainda tento
O curso "como aprender a voar" é uma barganha
Mas o de "como cair sem se machucar" não o acompanha…

Gente! tenho respirado tanto no saco ultimamente, mas tem me ajudado bastante, não me sinto mais com nitroglicerina pura, prestes a explodir a qualquer momento…
Eu aderi a moda de respirar no saco!!!!

criado por refain    18:13 — Arquivado em: Sem categoria

25 de maio de 2007

cotidiano II

Gosto quando é verão, embora a praia so seja agradavel nos dias de junho ou setembro.
Quando estamos em Janeiro parece que o céu ganha uma nova luz e ficar no campo vendo as montanhas iluminadas pela luz do sol que reflete uma nova cor é fabuloso, as tardes depois da chuva ganham uma nova coloração, inclusive o ar recebe um novo tom de transparente refletido no cheiro.
Os dias se definem melhor, o meio dia torna-se magico, o azul celeste ganha uma peciosidade no minimo celeste, sem riscos de ser redundante, as manhas e as tardes tornan-se espetaculos de natural beleza. A cor é nova, o cheiro é novo, a vida mais uma vez se transmuta.
Vejo vindo um novo tom de canção; em cor; em vida!

criado por refain    14:36 — Arquivado em: Sem categoria

cotidiano

Gosto quando é verão, embora a praia so seja agradavel nos dias de junho ou setembro.
Quando estamos em Janeiro parece que o céu ganha uma nova luz e ficar no campo vendo as montanhas iluminadas pela luz do sol que reflete uma nova cor é fabuloso, as tardes depois da chuva ganham uma nova coloração, inclusive o ar recebe um novo tom de transparente refletido no cheiro.
Os dias se definem melhor, o meio dia torna-se magico, o azul celeste ganha uma peciosidade no minimo celeste, sem riscos de ser redundante, as manhas e as tardes tornan-se espetaculos de natural beleza. A cor é nova, o cheiro é novo, a vida mais uma vez se transmuta.
Vejo vindo um novo tom de canção; em cor; em vida!

Gosto quando é verão, embora a praia so seja agradavel nos dias de junho ou setembro.
Quando estamos em Janeiro parece que o céu ganha uma nova luz e ficar no campo vendo as montanhas iluminadas pela luz do sol que reflete uma nova cor é fabuloso, as tardes depois da chuva ganham uma nova coloração, inclusive o ar recebe um novo tom de transparente refletido no cheiro.
Os dias se definem melhor, o meio dia torna-se magico, o azul celeste ganha uma peciosidade no minimo celeste, sem riscos de ser redundante, as manhas e as tardes tornan-se espetaculos de natural beleza. A cor é nova, o cheiro é novo, a vida mais uma vez se transmuta.
Vejo vindo um novo tom de canção; em cor; em vida!

criado por refain    14:36 — Arquivado em: Sem categoria

18 de maio de 2007

pros e contras

Hoje ao ler o jornal que todos os dias me acorda sempre as seis e meia da manhã, vi que as pessoas inteligentes ainda vivem muito alem da minha imaginação e fiquei embevessido com as palavras da Danuza que me fizeram refletir sobre um assunto que vem sempre a minha mente nos momentos em que me afundo na cadeira preta da minha sala de estar, para tomar o meu cafezinho, fumar meu cigarro e pensar na vida…
Segue o texto dela na integra… espero que gostem..

Quando a hora chega é sempre um problema, porque nunca se tem certeza. Será que é a hora mesmo?
Eles foram felizes durante alguns anos; felizes mes-mo. Mas num determinado momento complicou e ela nem entendeu por quê. E quando a complicação começa, só faz aumentar.

Não que ela tivesse achado graça em alguém, e nem porque desconfiasse de que ele tivesse um casinho qualquer. Ficou ruim, apenas. Ela, que sempre foi considerada cabeça quente, resolveu ir com calma e tentou, dentro do possível, ser racional. Gostava dele ainda? Gostava; não do que ele tinha se tornado, mas do que ele havia sido, em outros tempos.

E sem ele, como seria? Aí, veio o medo. Eram tantas coisas em comum, o hábito do cotidiano, o prazer - um certo - que ainda sentia quando estava com ele. Só que o que estava ruim foi ficando pior.

Pegou um caderno e fez duas listinhas: numa página, em letras grandes, A FAVOR; na outra, CONTRA. Começou a lembrar e escrever.

A lista do A FAVOR ficou enorme, e na outra nem deu para definir o que não estava bom. Era mais uma coisa de intuição, de premonição, que dizia que era hora de ir embora. Prática, pensou nas coisas materiais: no carro importado, nas viagens, no cartão de crédito que usava sem cerimônia. Dava para viver sem? Dava; já tinha passado por fases de total dureza e nunca foi infeliz por isso. Não que não gostasse das coisas caras da vida: na sua geladeira sempre tinha duas latas de caviar de 200 gramas (cada) que a faziam se sentir segura, e em algumas tardes de domingo, no lugar de pedir uma pizza, abria uma e ia para a frente da televisão ver o que estava acontecendo no mundo. Também gostava muito, em viagem, de comprar uns trapinhos que a faziam muito feliz. Dava para viver sem? Bem, ia sentir saudades, mas não ia morrer por causa disso. E viajar em classe econômica também não mata ninguém.

Mas o que não conseguia era tomar a decisão - aliás, sempre teve horror a decisões. Pedia conselhos às amigas, se torturava mas não tinha coragem. E se fosse precipitada e depois se arrependesse? Certas decisões não têm volta, e imaginar que, talvez por uma certa tendência à autodestruição, pudesse estar jogando tudo no lixo, dava medo. Quanta gente não daria a vida para ter o que ela tem e não quer mais?

Lembrou de uma coisa que leu ou ouviu um dia: enquanto se está na dúvida, não se deve fazer nada. Por outro lado, quando se tem certeza é preciso agir logo, imediatamente. Mas será que algum dia teria certeza? Pois um dia, inesperadamente, teve.

Teve não só a certeza como a coragem de dizer tudo, com todas as palavras: não enrolou dizendo que precisava de um tempo, mas que aquele era o fim. Ele escutou com calma, não pediu para ela pensar melhor nem implorou que ficasse. Simplesmente aceitou - o que deu a ela a impressão de ter feito a coisa certa, na hora certa - talvez pela primeira vez na vida. No dia seguinte ele até pediu, mas aí já era tarde.

Soube então que para acertar é preciso ter errado muito, e que quando a hora chega mesmo é preciso estar preparada.

Sabe que vão existir dias de muita tristeza, de muita saudade, dias em que certas lembranças vão doer; dias em que vai acordar sem rumo, sem saber o que fazer nem para onde ir. Dias em que precisaria ter alguém ao lado - um homem, claro - para explicar di-rei-ti-nho que guerra é essa, para onde está indo o mundo, para dar a certeza de que um dia desses vai dar para voltar a Paris, sentar num café e ficar discutindo - e até brigando - para decidir onde vão jantar. Homem faz falta sim, mas quando a hora chega é preciso agir - antes que ela passe.

Mas é preciso estar preparada para tudo, até para quando souber que ele está com outra; a dor-de-cotovelo pode chegar, e forte. Mas uma a mais, uma a menos, qual o problema? Quantas você já teve de que nem se lembra mais?

Quando o momento chegar, vá. Vá sem medo e sem olhar para trás, porque é essa a hora de tomar nas mãos as rédeas de sua vida.

O que é muito bom.

criado por refain    12:59 — Arquivado em: Sem categoria

16 de maio de 2007

Se eu pudesse

Se eu pudesse, mudava minha vida toda. Não que ela esteja ruim, mas para ver que ela pode ser diferente.

Se eu pudesse, me desfaria de muitas coisas: do carro, do apartamento grande com vista pro mar, de muitas roupas; afinal quem precisa de mais de três pares de sapato, dois jeans, quatro camisetas e dois suéteres, sobretudo quando anda pensando em mudar de vida?

Se eu tivesse muitas jóias enterrava todas elas na areia da praia para que um dia alguém enfiasse a mão, assim para nada, e tivesse a felicidade de encontrar um colar de brilhantes; afinal dá pra viver sem, não dá?

Das algumas garrafas de champanhe guardadas cuidadosamente na horizontal daria para abrir mão, sem nenhuma possibilidade de remorso futuro, se tivessem coragem; champanhe, além de engordar, não passa de um prosseco metido a alguma coisa, e nem barato dá, de tão fraquinho que é.

E as amizades? Aliás, as amizades não: as relações. Ah, se tivessem coragem comprava um novo caderno de telefones e passava só aqueles pouquissímos nomes que realmente têm algum significado, e que são tão poucos que nem precisaria escrever; guardaria todos de cor, não na cabeça, mas no coração, e me esqueceria de todos os outros.

Se pudesse, iria recomeçar a vida em outra cidade, talvez em outro país, para nada, só para começar tudo do zero. Para sofrer bastante pensando que se não tivesse feito tantas bobagens, se tivesse tido mais juízo e errado menos, poderia Ter sido mais feliz e menos culpada de carregar a responsabilidade de Ter feito gente sofrer – ou seria essa apenas mais uma crise de megalomania, mais uma? Porque, pensando bem, alguém tem o poder de fazer o outro sofrer ou a capacidade do sofriemento é um bem pessoal e instranferível? Alguém conseguiria fazer você sofrer a essa altura do campeonato?

Se pudesse – e não tivesse tantos compromissos sociais e profissionais – seria vegetariana, dormiria muito cedo e teria muito amor pelos animais e pelas crianças. Mas como tem horror a qualquer bicho e nenhuma paciência com criancinhas, vai Ter que arrastar a vida levando essa pessadíssima cruz – afinal, ficou combinado que de certas coisas não se pode não gostar, e se não gostar não se pode dizer, que vida.

Se pudesse largaria tudo e iria embora para um lugar onde ninguém a conhecesse, onde não teria nem passado nem futuro; para um lugar esquisito no qual não entenderia a língua do povo nem nínguem entenderia a dela. Seriam todos, assumidamente, estranhos – como somos no edifício onde moramos, no local de trabalho, dentro de nossa família. Ou você pensa que alguém conhece alguém porque dá beijinho no elevador?

Se eu pudesse quando acordasse hoje de madrugada saía descalça só com um casaco em cima da pele e iria molhar os pés na água do mar, sozinha; depois iria tomar um café no balcão de um botequim.

Se eu pudesse rasgava os talões de cheques, cortava os cartões de crédito com uma tesoura, fazia uma linda fogueira com os casacos de pele e iria saber como é que vivem os que não têm, nunca tiveram e nunca vão Ter nada disso. E aproveita o embalo para cortar os fios dos telefones, jogar o celular na tela da televisão e o computador pela janela – deve ser lindo um computador voando.

Se eu pudesse raspava a cabeça, acendia dois cigarros ao mesmo tempo, tomava uma vodca dupla sem gelo num copo de geléia, pegaria uma gilete para cortar em pedacinhos a carteira de indentidade, o passaporte e o CPF; sem pensar um só instante nas consequências e sem um pingo de medo do futuro. E jogava na lata de lixo meus lençois, meus travesseiros, meu cobertor, só para aprender que a vida não é só isso.

Se eu pudesse esquecia do meu nome, do meu passado e da minha história e ia ser ninguém. Ninguém.

Se eu pudesse não, se eu quisesse.

Mas no fundo, eu covarde, não quero.

DANUZA LEÃO (Crônicas Para Se Guardar)

criado por refain    14:01 — Arquivado em: Sem categoria
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