A seunda parte da carta de mim para alguem que ainda não encontrei, sugiro aos leitores lerem o post anterior que é o começo da carta, ja que o blog não permitiu escrever tudo em uma postagem.
Quero apenas que esses meses passem logo, chega de letras, quero ver o sol em outro horizonte que não seja este tão perto de mim, quero poder ver o mar de outro ângulo, quero acampar na praia e ver o entardecer com você e não mais achar os bilhetes pregados na porta da geladeira, maneira esquisita esta de me comunicar com você.
Quero que tudo seja perfeito e bonito, será que terá lugar para os meus quadros, é, acho que sou eu que estou à deriva em cima da cama que mais parece um oceano de emoções.
Mas minha vida continua pelo menos por enquanto, os minutos continuam a me maltratar, será que você pensa em mim?
Acho que nada mudou, no orvalho das manhas tristes da primavera que se aproxima sinto sua presença e vou a qualquer cartomante para saber do meu futuro, mas já não quero mais saber, a vida se transforma a cada instante e eu tento sair daqui, mas as portas estão trancadas.
Será que meus livros vão encher a sua estante, de Fernando Pessoa a Clarice Lispector, sinto um tremor só de pensar, quero estar ai e não aqui trancado dentro de mim, minha alma vive em guerra com o carcereiro e minha vida me chama, mas realmente me sinto perdido no meio de tantas setas, mas aventureiro que se preza prefere seguir placas de transito a mapas anotados em guardanapos.
O sol está quente hoje, não quero que as lembranças do que fomos, nos venham novamente, apoteoticamente, aleatoriamente, apocalipcamente, será que vai ter espaço pra mim no seu coração, espero que o seu guarda-roupa seja grande o suficiente para guardar meus sapatos, se bem que em baixo da cama o espaço é maior.
O som do piano me deixa mais leve, acho que cansei de carregar muito peso, cadê sua mão? Está escuro aqui fora, ou aqui dentro, tantos discursos falidos, e o sistema não muda, vou requentar a janta, você quer um pouco de marchmellow, a vida parece ser assim, tenho medo do futuro, quero continuar a usar o maldito CRHONOS e dar um jeito na casa, você pode vir a qualquer momento e não quero que me veja assim, amanha ou talvez depois você até possa me ver acordando, com ou sem mau humor, com aquele gosto de cabo de guarda chuva na boca depois do vinho de ontem, quero dois travesseiros só pra mim, um só me dá dor de cabeça, quero uma serenata e café na cama, acho que é o mínimo que qualquer pessoa precisa, sem mais demagogia e delongas estou aqui longe de mim tentando ser alguém, que pensa insistentemente em você, querendo estar com você. Não entendo nada de política, queria poder entender, presto atenção ao telejornal, mas confesso que pouca coisa me chama atenção acho chato ouvir pessoas discutindo como se fossem deuses e como se isso fosse resolver os problemas do mundo, preciso limpar minha caixa da água e meu coração também.
O ser humano é capaz de qualquer adaptação, acho que sou de marte, quero muito ver você, mas hoje não dá, vou consertar minha asa quebrada e descansar, ler meus livros de álgebra do tempo em que o segundo grau era apenas cientifico, a comunicação verbal, não verbal me incomoda, quero gritar um grito abafado em mim, um dia ainda taco fogo nesses livros, malditos! Não quero mais sofrer… Quero pensar em outra coisa ou prestar mais atenção no que faço. Hi acho que essa parede era para ser branca e não vermelha… Quantos pães mesmo eu tenho que comprar? Precisamos reformar o sofá da sala e talvez comprar uns almofadões pra quando os nossos amigos chegarem se é que vai chegar alguém, a kit do centro é tão fria, quero mais alegria talvez não mais no sul, mas não sei direito de que cor vamos pintar o quarto, só sei que a colcha tem várias cores e o meu pijama é de seda, merda! Meus cigarros acabaram e já não quero mais fumar, um dia ainda paro com isso…
Alguém toca sax na sacada de um apartamento qualquer, vitima do cotidiano que nem sabe mais por onde andar, esperar, e nem saber mais o que esperar apenas ouvir a musica, cachorro, será que ele não sabe que isso me faz lembrar você, será que ele ta tocando pra alguém ou só de raiva resolveu tocar na sacada pra eu ouvir, sei lá, as pedras da praia estão no mesmo lugar assim como eu, meu discurso está pronto, mas as outras coisas estão difíceis de sair, tenho pensado muito, mas não defini ainda o que vou usar no dia do meu casamento, queria sapatos pretos de verniz, mas acho que estão fora de moda.
Não gosto mais de comer queijo, acho que estou enjoado de amores descartáveis, minha casa precisa de uma limpeza, assim como eu, vou lavar a louça e finalmente passar a roupa, já que ninguém me ajuda. Esse homem com o sax toca muito bem, cairia melhor um acordeon e um tango argentino, mas já que Buenos Aires é longe. Fico com o sax mesmo.
O mundo esta rodando tão depressa e o tempo passa cada vez mais rápido, mas acho que para mim o tempo é diferente, acho que não sou daqui, vou levar uma bóia pra não me afogar, e se eu submergir depois de um longo tempo não se assuste, eu juro que usarei o bom senso, pois estou aqui tão perto e ao mesmo tempo tão longe de você, de mim, do mundo que é só nosso e das nossas coisas cotidianas regidas pelo eixo do coração, o leite já derramou, a água já ferveu, já amanheceu e você simplesmente não apareceu, o natal está tão longe, mas a esperança ainda reina em mim, e sei que não há mais inspiração em qualquer quadro do que há em mim agora e que essas linhas ondulante e etruscas cravam uma dor subterrânea que já se dissipou.
As folhas continuam a serem colhidas e você nem percebe que sozinho eu te sigo, te leio, te sinto, te admiro… Coisas cotidianas, rotineiras sem real importância, insólitas, apáticas e aleatórias que me pertencem e que nunca em tempo algum irão extinguir-se, mas sim mudar para uma perfeita e inigualável leveza de um ser que nada mais busca a não ser, ser imensamente, incomensuravelmente feliz.