Cenas da Vida Urbana

Textos escritos nas solitárias noites sem luar

29 de setembro de 2007

transparência

As velas estão terminando de queimar e os pratos ainda estão sobre a mesa, a comida já fria denuncia que ninguém a tocou, o que será que aconteceu com o meu mundo será que ele parou? Tento encontrar respostas, mas acho que elas nunca chegarão.
Sinto medo, falo com as paredes às vezes é horrível essa solidão que assola minha alma queria conversar com alguém, mas como se todos que eu converso não me dizem nada, as pessoas parecem transparentes pra mim, como se só existisse uma pessoa, que eu ainda não encontrei.
Aquele hotel parece tão frio e distante, as coisas não são minhas, mas me sinto tão em casa lá, e minha casa já não parece mais minha. Tudo frio e distante, meus quadros já perderam o encanto e minhas plantas estão morrendo, será que um dia isso vai ter fim?Eu tento, mas as coisas me sufocam, não consigo ficar em casa e olhar tudo isso, estou cansado, quero coisas novas e meu cartão nem venceu ainda, cansei de fazer tudo direitinho eu sempre torci pro mocinho, agora chegou a hora de dar adeus, escrever uma carta e terminar o filme do lado do bandido…
Porque será que meu ursinho não me dá mais conselhos, tenho que comer mais verduras, vagens, por exemplo, mas meu apetite sumiu, daqui a pouco vou precisar de soro, os chocolates se acabaram e nem por isso minha vida ficou mais doce, os mesmos programas imbecis na televisão, maldito futebol, quem foi mesmo Pedro Almodóvar ou então Glauber rocha, já nem sei mais, um espirro um suspiro e mais um espirro acho que não vai vir ninguém mesmo, e eu nem posso ver o mar daqui, contraponto indesejável de nada saber, impotência besta que reina, e já não quero ser assim, talvez o velho acordeon, num bar de esquina me ensine que existe mais em uma simples dança que eu poderia supor, que lindo é o tango, mais lindo ainda se fosse dançado sensualmente, mas quem se importa, os artistas saíram dançando pela rua, e eu fiquei pra traz, e já não quero ficar dançando pela rua, mas não vou voltar para os velhos hábitos e não há nenhum concerto de piano que me faça chorar mais que uma boa taça de vinho branco, acho que vai chover vou correr pra me proteger, já que ninguém me tirou para dançar, vamos pairar sobre a chuva, mas eu não quero, quero sim é ir dormir para esquecer e ver meu mundo,eu sou assim vivo e visto fantasias o tempo todo e não quero mais os eu te amo de mentira quero sim é ver explicito, sei lá o que, pega um foguete, um patinete ou então venha correndo, de patins ou então simplesmente não venha, mas pense em mim, não quero ser a dor de quem partiu e nem o saber amargo da vitória ou da derrota, ou mesmo do empate que nunca aconteceu, quero ser eu e quero ser você, quero ser nós afinal.

criado por refain    16:11 — Arquivado em: Sem categoria

20 de setembro de 2007

carta 1 parte

Começo da carta escrita por mim para alguem que ainda não encontrei, sugiro aos leitores ler a carta na integra que está dividida em dois posts esse e o que o segue.

Hoje estivemos aqui colhendo flores, flores de nós, os pedaços, todos espalhados, colher um pouco de emoção, neste vazio de solidão, no vácuo da vida, colhendo esses objetos de não amor, aquele amor pelo tempo deliberado e tão difícil de encontrar.
Viver, os dias alem dos dias e não falar nada, sentir e não poder mais sentir, querer e não mais poder, ver no espelho todas as imagens refletidas, menos a sua, procurar no âmago de si mesmo por você e não te encontrar, em algum lugar distante um olá e um até logo e depois o espaço vazio que já não existe mais.
Se tivesse que te dizer alguma coisa eu diria, olhe em volta, aproveite os minutos, tire os momentos da vida, as lições dos momentos bons e ruins, pois daqui a alguns anos você sentira a diferença, quando olhar a em volta e ver que da juventude pouco restou, apenas traços, mal traçados pelo tempo e as marcas cravadas, dor por dor por cada pessoa que se ama e que se perde.
A vida já não me pertence mais, a cada dia um novo desafio e o choro é tão doloroso quando se está só.
Não confie sua vida em conselhos comprados, e não utilize sua inteligência para querer o que não pode, pois se conselho fosse bom o mundo seria melhor, mas eu não acredito nisso, são paralelas, côncavas e convexas linhas que traço sem parar, e a vida já não me pertence mais.
Pense nos conselhos que você escutou durante a vida, filtre e fique só com o que lhe chama mais atenção, garanto que você vai se surpreender. Encontrará mais de você em você do que você supunha existir.
Compre doce, vá a uma confeitaria, aproveite e olhe para o céu, brinque de adivinhar as nuvens e se puder pense em mim, pois eu estou aqui pensando constantemente em você.
Olhe para o mar, sinta a brisa que envolve o seu corpo nessas noites frescas de outono, não pense nas prestações ou no compromisso de daqui a pouco apenas tente não pensar, deixe seu corpo agir e saboreie cada sua emoção e, por favor, não esqueça de mim.
Amanhã, eu juro que irei te visitar, mas acabei de me lembrar tenho uma liquidação de sentimentos no shopping, meu coração anda tão volúvel, espero que não endureça.
Mas voltando ao assunto, use luvas, está frio aqui, o tempo vai virar, e eu não quero que você fique doente, suas mãos são tão envolventes, seus dedos longos ao tocar meu rosto são como pequenas lagrimas de alegria, e já não me pertenço mais, queria dizer, olhe em volta, o que realmente sobrou, tente reciclar, não de ouvidos ao que pensam os outros, nosso mundo é particular, intransponível aos olhos dos outros e eu me sinto assim quando quero comprar um pouco de amor numa madrugada de Agosto, essas liquidações me enchem o saco, acho que amanha vai dar praia, se bem que o vento sul ameaça bater na porta do meu apartamento.
Sentimentos estranhos povoam meu ser e aquele velho medo de não sentir, de não saber, de não poder, nada alem do que não soube dizer e mais uma vez o choro é tão doloroso.
Que seria da minha vida se não fosse o prazer de algumas aventuras amorosas, eu sei que você vai me resgatar, só está esperando o momento certo, lembre-se sempre do nosso trato, se eu sorrir você sorri, se você pular eu pulo.
Eu pertenço a você e a mim mesmo e já não me pertenço mais, os dias são intermináveis e os mitos estão acabando comigo, preciso de férias de mim mesmo, esses disfarces escondidos em letras já estão tão presentes na minha vida, quem sabe outro inverno não bata em meu coração tão gelado, mas acredito na vida e sei que um dia o sol há de se fazer presente, mas tomarei cuidado.
Amanha irei, depois da liquidação, ver o que sobrou dos cacos de minha ultima paixão, acho que não quero mais reviver, mas se recordar é viver eu prefiro estar morto e não mais querer te ver é para mim todo um suplício de saudades.

criado por refain    16:57 — Arquivado em: Sem categoria

carta 2 parte

A seunda parte da carta de mim para alguem que ainda não encontrei, sugiro aos leitores lerem o post anterior que é o começo da carta, ja que o blog não permitiu escrever tudo em uma postagem.

Quero apenas que esses meses passem logo, chega de letras, quero ver o sol em outro horizonte que não seja este tão perto de mim, quero poder ver o mar de outro ângulo, quero acampar na praia e ver o entardecer com você e não mais achar os bilhetes pregados na porta da geladeira, maneira esquisita esta de me comunicar com você.
Quero que tudo seja perfeito e bonito, será que terá lugar para os meus quadros, é, acho que sou eu que estou à deriva em cima da cama que mais parece um oceano de emoções.
Mas minha vida continua pelo menos por enquanto, os minutos continuam a me maltratar, será que você pensa em mim?
Acho que nada mudou, no orvalho das manhas tristes da primavera que se aproxima sinto sua presença e vou a qualquer cartomante para saber do meu futuro, mas já não quero mais saber, a vida se transforma a cada instante e eu tento sair daqui, mas as portas estão trancadas.
Será que meus livros vão encher a sua estante, de Fernando Pessoa a Clarice Lispector, sinto um tremor só de pensar, quero estar ai e não aqui trancado dentro de mim, minha alma vive em guerra com o carcereiro e minha vida me chama, mas realmente me sinto perdido no meio de tantas setas, mas aventureiro que se preza prefere seguir placas de transito a mapas anotados em guardanapos.
O sol está quente hoje, não quero que as lembranças do que fomos, nos venham novamente, apoteoticamente, aleatoriamente, apocalipcamente, será que vai ter espaço pra mim no seu coração, espero que o seu guarda-roupa seja grande o suficiente para guardar meus sapatos, se bem que em baixo da cama o espaço é maior.
O som do piano me deixa mais leve, acho que cansei de carregar muito peso, cadê sua mão? Está escuro aqui fora, ou aqui dentro, tantos discursos falidos, e o sistema não muda, vou requentar a janta, você quer um pouco de marchmellow, a vida parece ser assim, tenho medo do futuro, quero continuar a usar o maldito CRHONOS e dar um jeito na casa, você pode vir a qualquer momento e não quero que me veja assim, amanha ou talvez depois você até possa me ver acordando, com ou sem mau humor, com aquele gosto de cabo de guarda chuva na boca depois do vinho de ontem, quero dois travesseiros só pra mim, um só me dá dor de cabeça, quero uma serenata e café na cama, acho que é o mínimo que qualquer pessoa precisa, sem mais demagogia e delongas estou aqui longe de mim tentando ser alguém, que pensa insistentemente em você, querendo estar com você. Não entendo nada de política, queria poder entender, presto atenção ao telejornal, mas confesso que pouca coisa me chama atenção acho chato ouvir pessoas discutindo como se fossem deuses e como se isso fosse resolver os problemas do mundo, preciso limpar minha caixa da água e meu coração também.
O ser humano é capaz de qualquer adaptação, acho que sou de marte, quero muito ver você, mas hoje não dá, vou consertar minha asa quebrada e descansar, ler meus livros de álgebra do tempo em que o segundo grau era apenas cientifico, a comunicação verbal, não verbal me incomoda, quero gritar um grito abafado em mim, um dia ainda taco fogo nesses livros, malditos! Não quero mais sofrer… Quero pensar em outra coisa ou prestar mais atenção no que faço. Hi acho que essa parede era para ser branca e não vermelha… Quantos pães mesmo eu tenho que comprar? Precisamos reformar o sofá da sala e talvez comprar uns almofadões pra quando os nossos amigos chegarem se é que vai chegar alguém, a kit do centro é tão fria, quero mais alegria talvez não mais no sul, mas não sei direito de que cor vamos pintar o quarto, só sei que a colcha tem várias cores e o meu pijama é de seda, merda! Meus cigarros acabaram e já não quero mais fumar, um dia ainda paro com isso…
Alguém toca sax na sacada de um apartamento qualquer, vitima do cotidiano que nem sabe mais por onde andar, esperar, e nem saber mais o que esperar apenas ouvir a musica, cachorro, será que ele não sabe que isso me faz lembrar você, será que ele ta tocando pra alguém ou só de raiva resolveu tocar na sacada pra eu ouvir, sei lá, as pedras da praia estão no mesmo lugar assim como eu, meu discurso está pronto, mas as outras coisas estão difíceis de sair, tenho pensado muito, mas não defini ainda o que vou usar no dia do meu casamento, queria sapatos pretos de verniz, mas acho que estão fora de moda.
Não gosto mais de comer queijo, acho que estou enjoado de amores descartáveis, minha casa precisa de uma limpeza, assim como eu, vou lavar a louça e finalmente passar a roupa, já que ninguém me ajuda. Esse homem com o sax toca muito bem, cairia melhor um acordeon e um tango argentino, mas já que Buenos Aires é longe. Fico com o sax mesmo.
O mundo esta rodando tão depressa e o tempo passa cada vez mais rápido, mas acho que para mim o tempo é diferente, acho que não sou daqui, vou levar uma bóia pra não me afogar, e se eu submergir depois de um longo tempo não se assuste, eu juro que usarei o bom senso, pois estou aqui tão perto e ao mesmo tempo tão longe de você, de mim, do mundo que é só nosso e das nossas coisas cotidianas regidas pelo eixo do coração, o leite já derramou, a água já ferveu, já amanheceu e você simplesmente não apareceu, o natal está tão longe, mas a esperança ainda reina em mim, e sei que não há mais inspiração em qualquer quadro do que há em mim agora e que essas linhas ondulante e etruscas cravam uma dor subterrânea que já se dissipou.
As folhas continuam a serem colhidas e você nem percebe que sozinho eu te sigo, te leio, te sinto, te admiro… Coisas cotidianas, rotineiras sem real importância, insólitas, apáticas e aleatórias que me pertencem e que nunca em tempo algum irão extinguir-se, mas sim mudar para uma perfeita e inigualável leveza de um ser que nada mais busca a não ser, ser imensamente, incomensuravelmente feliz.

criado por refain    16:56 — Arquivado em: Sem categoria

12 de setembro de 2007

mergulhões

Hoje estou aqui novamente olhando a imensidão azul, do decimo primeiro andar, as pessoas la em baixo todas envoltas em suas vidas e eu aqui sentado no parapeito com os pés pra fora, sentindo o vento bater contra o meu rosto, nunca fui assim tão nú, quanto estou sendo agora, nem no dia em que nasci, os telhados todos de vidro, se quebrando pouco a pouco e a voz me chamando está cada vez mais longe, queria poder voar, flutuar, mas o peso dos meus pensamentos me deixam fincados no chão, o telefone tocou, mas mais uma vez foi engano, quanto tempo vou esperar pela decisão de ser eu mesmo, de sentir sem medo o que quero sentir, de decompor todos os meus sonhos em alguma escritura inútil, a agua da banheira ja está quente e passei, confesso, a tarde inteira imerso em meus pensamentos, adoro a tempestade, embora nem sempre saiba lidar com raios e trovões, queria muito saber onde estão localizadas as saidas de emergencia, me sinto meio caustrofobico aqui, olhar todas as paredes brancas, os janelões de onde vejo o mar e a cidade fervilhando em cultura, trabalho amores e desamores.
Ontem, ja era madrugada, andei pela rua sentido a brisa e depois de muito tempo me senti leve, queria correr para os braços de alguem que mora lá, nem tão perto do meu mar, mas sempre vez ou outra aconteçe o imprevisto e o encontro é adiado mais uma vez…
As aulas de piano que tive quando criança, com aquela velha professora que morava a dois quarteirões da minha casa ainda estão na milnha lembrança, assim como a musica que aprendi nas poucas aulas que tive, confesso o que me atraia era a polenta frita que ela fazia, tento gritar mas todos estão ocupados demais, cansados demais, ou simplismente não tem tempo pra isso, estou me afogando em mim mesmo
Os mergulhões da praia… desenhar na areia a vida perfeita, junto ao castelo que em um ano e pouco ruiu, a onda derrubou, o passado foi embora, e o vento que bate no parapeito é forte, mas ja consigo ver algumas estrelas no céu, vou assim, andando só, trocando passos com a solidão, os momentos meus, todos vividos, aquietados, indefiridos, amanha volto a ação…
As pessoas diferentes säo aquelas que enxergam a vida e o mundo de maneira diferente..
Conseguem enxergar oportunidades nas crises.
Comprometem-se. São polidas e educadas e além da "boa intenção" tem muita sensibilidade e empatia para colocar-se no lugar das outras pessoas. Elas ouvem, mais do que falam. Elas respeitam as opiniões alheias. Elas sabem dizer "eu não sei" e dizem com freqüência "eu não compreendi…". São pessoas simples e objetivas. Falam e agem com simplicidade e têm muito foco em tudo o que fazem. Daí a "diferença". A diferença positiva está mais na simplicidade do que na complexidade, mais na humildade do que na arrogância, mais no "ser" do que no "ter"
Sou assim… vida…poesia…autencidade…
Odeio o caos, mas flerto com ele.
Eu analiso, me adapto e supero.

criado por refain    13:53 — Arquivado em: Sem categoria

5 de setembro de 2007

compasso

A vida não está no seu compasso normal, tenho tentado ajeitar as coisas, mas confesso, o cançasso tem começado a bater.
As estrelas todas solitárias, assim como eu em frente ao mar, decimo segundo andar, mar de lembranças, quantas lagrimas ainda terão que verter para que eu encontre o caminho, se é que realmente existe um caminho.
Tenho vivido, pseudovida que me condiciona todos os dias a acordar e fazer as mesmas coisas, pensar no que fazer do tempo, tempo ingrato, antes fosse pelo simples "não tentar", mas não psso ser uma pessoa conformista, tento desde que acordo e ja sinto meu corpo dormente depois da ultima vez em que tento pela ultima vez.
Carcere privado esse de 1.75, antes tivessem me trancado em uma cela e jogado a chave fora, não me sentiria conformado, impotente, preso a todas as lembranças que é a pior das condenações, sem ter mais o que e com quem falar sobre a minha defesa, defesa de que? Falta de braços, pernas, mãos e minha cama tem sido enorme, como o buraco negro que se instalou no estomago, queria fugir, mas como eu faço pra fugir de mim sem me levar junto? tudo está aqui, nem freud consegue explicar essa falta de nem sei o que, o vazio aumenta quando cai a noite, de dia consigo ocupar minha cabeça entre emails, entrevistas e correrias, mas ao voltar pra casa, no silencio é que vejo o quanto estou sozinho.
A praia já não me atrai e caminhar por ela já me cansa, cansa o corpo e o espirito, espero que eu consiga!
Hoje não foi um dia bom, caminhei na praia, no silencio, no vazio…

criado por refain    13:31 — Arquivado em: Sem categoria
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