Cenas da Vida Urbana

Textos escritos nas solitárias noites sem luar

26 de junho de 2008

resultado de uma noite solitária sem luar

As velas estão terminando de queimar e os pratos ainda estão sobre a mesa,  a surpresa nunca aconteceu! a comida já fria denuncia que ninguém a tocou, o que será que aconteceu com o meu mundo? será que ele parou? Tento encontrar respostas, mas acho que elas nunca chegarão.
Sinto medo, falo com as paredes às vezes é horrível essa solidão que assola minha alma queria conversar com alguém, mas como se todos que eu converso não me dizem nada, as pessoas parecem transparentes pra mim, como se só existisse uma pessoa, que eu ainda não encontrei.
Aquele hotel parece tão frio e distante, as coisas não são minhas, mas me sinto tão em casa lá, e minha casa já não parece mais minha. Tudo frio e distante, meus quadros já perderam o encanto e minhas plantas estão morrendo, será que um dia isso vai ter fim?Eu tento, mas as coisas me sufocam, não consigo ficar em casa e olhar tudo isso, estou cansado, quero coisas novas e meu cartão nem venceu ainda, cansei de fazer tudo direitinho eu sempre torci pro mocinho, agora chegou a hora de dar adeus, escrever uma carta e terminar o filme do lado do bandido…
Porque será que meu ursinho não me dá mais conselhos, tenho que comer mais verduras, vagens, por exemplo, mas meu apetite sumiu, daqui a pouco vou precisar de soro, os chocolates se acabaram e nem por isso minha vida ficou mais doce, os mesmos programas imbecis na televisão, maldito futebol, quem foi mesmo Pedro Almodóvar ou então Glauber Rocha, já nem sei mais, um espirro um suspiro e mais um espirro acho que não vai vir ninguém mesmo, e eu nem posso ver o mar daqui, contraponto indesejável de nada saber, impotência besta que reina, e já não quero ser assim, talvez o velho acordeon, num bar de esquina me ensine que existe mais em uma simples dança que eu poderia supor, que lindo é o tango, mais lindo ainda se fosse dançado sensualmente, mas quem se importa, os artistas saíram dançando pela rua, e eu fiquei pra traz, e já não quero ficar dançando pela rua, mas não vou voltar para os velhos hábitos e não há nenhum concerto de piano que me faça chorar mais que uma boa taça de vinho , acho que vai chover vou correr pra me proteger, já que ninguém me tirou para dançar, vamos pairar sobre a chuva, mas eu não quero, quero sim é ir dormir para esquecer e ver meu mundo,eu sou assim vivo e visto fantasias o tempo todo e não quero mais os eu te amo de mentira quero sim é ver explicito, sei lá o que, pega um foguete, um patinete ou então venha correndo, de patins ou então simplesmente não venha, mas pense em mim, não quero ser a dor de quem partiu e nem o saber amargo da vitória ou da derrota, ou mesmo do empate que nunca aconteceu, quero ser eu e quero ser você, quero ser nós afinal.

criado por refain    19:09 — Arquivado em: Sem categoria

13 de junho de 2008

revolta

Bem, a vida é assim, os dias cinzas se repetem na praia e confesso, você tem o dom de me tirar do sério.
A vida está por um fio, tua casa ta pegando fogo, teu amor se despedaça, tua hora ta chegando… Não a hora da morte biológica que pode até demorar, mas a hora da verdade, hora de virar gente, a hora de assumir o comando, a hora de tomar a consciência.
A cebola da vida está descascando, inexorável, aí, do teu lado; o leão do tempo, feroz, rugindo no teu cangote - e você não reage. Nem se mexe. Acontece que existem conclusões que você tem obrigação de chegar hoje:
Ou você se salva ou você…
è isso que eu quero te dizer novamente hoje, mas você teima em não me ouvir. Porque todos temos uma certa tendência neurótica em deixas as coisas como estão, em salvar as aparências, em manter as estruturas, mesmo que estejam apodrecendo.
Quase todos temos uma enorme preguiça de agitar as circunstancias. Propendemos a deixar tudo como está, embora vivamos fazendo promessas de mudar o mundo. Como disse GOETHE no FAUSTO " a quem persiste na esperança ainda resta a salvação".
Mas você sempre deixa pra depois. Você chuta o agora. você adia o instante, você posterga o hoje. Você pensa que vai viver mil anos. Não vai. Nem eu.
Mas não posso me queixar, as vezes explodo em sentimentos, na verdade, só queria uma coisa mais que tudo, que você prestasse atenção em mim, tenho andado chateado pra caramba, mas… Outros dias virão, com certeza isso passa, só sei que te adoro demais, será que seria pretensioso demais da minha parte dizer que TE AMO?
(…) Vai rever as rosas. tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás pra me dizer adeus e te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
_ Vos, não sois absolutamente iguais a minha rosa, vos não sois nada ainda. ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. era uma raposa igual a cem mil outras, mas fiz dela uma amiga. e ela agora é única no mundo.
As rosas estavam desapontadas
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vos, minha rosa, sem dúvida, um transeunte qualquer pensaria que parece convosco. Ela sozinha é, porem, mais importante que vós todas, pois foi a ela que reguei. foi a ela que pus a redoma. Foi a ela que abriguei com o para vento. Foi dela que matei as larvas ( exeto duas ou três por causa das borboletas) foi a ela que escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. è a minha rosa.
E voltou
Então a raposa:
- Adeus, disse ele…
- Adeus disse a raposa, Eis o meu segredo, é muito simples: só se vê bem com o coração, o essencial é impossível aos olhos.
- o essencial é invisível aos olhos, repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que perdi com minha rosa que a fez tão importante, repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa, mas tu, não deves esquecer. Tu te tornas exatamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa.
- Eu sou responsável pela rosa, repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar entre milhões e milhões de estrelas, isto basta para que seja feliz enquanto a contempla. Ele pensa: " minha flor está lá nalgum lugar…"
Mas, se o carneiro come a flor, é para ela, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem!
(o pequeno Príncipe - Antoine Saint Exupery)

criado por refain    15:03 — Arquivado em: Sem categoria
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