Cenas da Vida Urbana

Textos escritos nas solitárias noites sem luar

15 de agosto de 2008

Giggio

Ontem tive uma das perdas mais importantes da minha vida, meu amigo, confidente, companheiro deixou esta vida no Auge de seus 36 anos, seu coração não aguentou…Giggio aqui vai minha homenagem pra vc…

 

O céu está tão cinza,Eu derreto de calor em lagrimas tristes,que choram um choro aflito,sofrido mesmo…O transito parado da minha cidade de farois fechados, nada caminhava: so os meninos de rua, na beira da praia, molhando os pés no mar. A tarde imóvel, os trabalhos ficaram irrealizados,quando ouvi aquele som, aquelas palavras, poucas palavras para anunciar sua morte tão prematura, meu corpo paralisou, desliguei-me do resto. Arrepiei-me pela lagrima fria que derramou-se de meus olhos e rolaram pelo rosto e pescoço, chorei pela rua feito louco, porque voce era meu amigo, porque eu te amava. e quis fugir dali, não quis fazer mais nada, eu so quis encher meus pulmões e soprar toda minha vida pra dentro de ti, por seus poros, avesso dos suores. E chorei, chorei sem vergonha o choro tão preso, porque a muito tempo não via teu rosto tão sereno e branco,porque eu sempre adiava as coisas, Adiava porque achava que voce era eterno, a minha vida repleta de seus carinhos em minha cabeça ( que as veses me fazia dormir) das risadas soltas pelo ar, quando voce me ensinou a rir, das cançoes que cantamos juntos, vc a mesa e eu no microfone, eternamente emanarão o pó de minha saudade por ti.

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser, quando me lembro de você
Que acabou indo embora, cedo demais
Quando eu lhe dizia, me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse: eu gosto de você também
Só que você foi embora cedo demais
Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Dias assim, dias de chuva, dia de sol
E o que sinto não sei dizer
Vai com os anjos, vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade, até a próxima vez
É tão estranho
Os bons morrem antes
E lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais
E cedo demais,eu aprendi a ter tudo que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer
Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mas eu sei
Que você está bem agora
Só que neste ano eu sei que o verão acabou
Cedo demais

Até Breve…

criado por refain    16:47 — Arquivado em: Sem categoria

8 de agosto de 2008

faisca

Uma faísca de luz numa noite clara de verão espalhou o fogo. Começou suave, mas fez desabar a casa onde ela dançava. As fundações estavam gastas mas ninguém tinha coragem de tocá-las com medo que as paredes caíssem, até que veio a guerra, e uma inocente faísca. As estruturas vulneráveis sucumbiram, o incêndio alastrou-se e tudo que era estável desintegrou-se em chamas. Nem parecia real, talvez fosse mero reflexo ou cena teatral. Ela, que multiplicara-se em personagens, já não cabia no lugar que tornara-se pequeno demais. Descobriu-se só no vasto e imprevisível mundo, e saiu da cena, livre, guiando-se pelos caminhos abertos pelo fogo.

Ele imaginou-se uma faísca e sonhou com o fogo, onde descobriu seu próprio rosto refletido como num espelho. “O homem”, imaginou ter ouvido alguém falar. Olhou novamente e sentiu as chamas, e novamente o eco refletiu “O fogo”. Era sonho, pois ao acordar só lembrava que era outro, apenas um ator, um ator medíocre. Não lembrava mais nada. Sua identidade parecia existir apenas no texto que esquecera. Era teatro. Mas quando acordava o seu coração continuava em chamas então confundia-se e não sabia se amava a atriz ou a personagem. Talvez nada disso exista, de fato, na vida. É um truque. Talvez esteja apenas no texto.

Nem tudo é real. Nem tudo é apenas teatro. É um truque.

Cena inspiradora da mais alta complexividade que me encanda e me guia em certos momentos de vida…

ROMEU — Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo. (Julieta aparece na janela.) Mas silêncio! Que luz se escoa agora da janela? Será Julieta o sol daquele oriente? Surge, formoso sol, e mata a lua cheia de inveja, que se mostra pálida e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és mais formosa que ela. Deixa, pois, de servi-la; ela é invejosa. Somente os tolos usam sua túnica de vestal, verde e doente; joga-a fora. Eis minha dama. Oh, sim! é o meu amor. Se ela soubesse disso! Ela fala; contudo, não diz nada. Que importa? Com o olhar está falando. Vou responder-lhe. Não; sou muito ousado; não se dirige a mim: duas estrelas do céu, as mais formosas, tendo tido qualquer ocupação, aos olhos dela pediram que brilhassem nas esferas, até que elas voltassem. Que se dera se ficassem lá no alto os olhos dela, e na sua cabeça os dois luzeiros? Suas faces nitentes deixariam corridas as estrelas, como o dia faz com a luz das candeias, e seus olhos tamanha luz no céu espalhariam, que os pássaros, despertos, cantariam. Vede como ela apoia o rosto à mão. Ah! se eu fosse uma luva dessa mão, para poder tocar naquela face!
JULIETA — Ai de mim!
ROMEU — Oh, falou! Fala de novo, anjo brilhante, porque és tão glorioso para esta noite, sobre a minha fronte, como o emissário alado das alturas ser poderia para os olhos brancos e revirados dos mortais atônitos, que, para vê-lo, se reviram, quando montado passa nas ociosas nuvens e veleja no seio do ar sereno.
JULIETA — Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.
ROMEU (à parte) — Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?
JULIETA — Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
ROMEU — Sim, aceito tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor, que ficarei rebatizado. De agora em diante não serei Romeu.
JULIETA — Quem és tu que, encoberto pela noite, entras em meu segredo?
ROMEU — Por um nome não sei como dizer-te quem eu seja. Meu nome, cara santa, me é odioso, por ser teu inimigo; se o tivesse diante de mim, escrito, o rasgaria.
JULIETA — Minhas orelhas ainda não beberam cem palavras sequer de tua boca, mas reconheço o tom. Não és Romeu, um dos Montecchios?
ROMEU — Não, bela menina; nem um nem outro, se isso te desgosta.
JULIETA — Dize-me como entraste e porque vieste. Muito alto é o muro do jardim, difícil de escalar, sendo o ponto a própria morte – se quem és atendermos – caso fosses encontrado por um dos meus parentes.
ROMEU — Do amor as lestes asas me fizeram transvoar o muro, pois barreira alguma conseguirá deter do amor o curso, tentando o amor tudo o que o amor realiza. Teus parentes, assim, não poderiam desviar-me do propósito.

criado por refain    15:00 — Arquivado em: Sem categoria
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