Cenas da Vida Urbana

Textos escritos nas solitárias noites sem luar

17 de agosto de 2009

até a próxima vez…

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais.

vivemos tantas coisas, compatilhamos segredos…
Só que você foi embora cedo demais

Eu continuo aqui,
Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim
Um dia de chuva, um dia de sol
E o que sinto não sei dizer.

Vai com os anjos! vai em paz.
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez.

É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais

E cedo demais
Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu, que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer.

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que este ano
O verão acabou
Cedo demais.

criado por refain    10:17 — Arquivado em: Sem categoria

8 de agosto de 2009

monólogo

Perdi-me algumas vezes, confesso, mas tenho aprendido com alguns tropeços o que a vida tem me imposto.

Não sei se sei agir como o Senhor Responsável, pois até pouco tempo atrás o limite era o meu mundo, vivia tudo intensamente, sem parar para reparar nos espinhos que espalhava pelo caminho, e na maioria do tempo até pisava em sentimentos alheios.

Tropecei sim, diversas vezes, mas aprendi a levantar, e até meu queixo pode ter ficado mais alto por causa disso… Tolice a minha, acreditar no que pensava ser a coisa correta a se fazer… Às vezes os sonhos simplesmente viram… Poeira…

Porem, aprendi o mais importante. Podemos pegar essa poeira e construir sobre ela um alicerce seguro e robusto que qualquer vento sul não seja capaz de derrubar…

Sei que falo muito por metáforas e às vezes sou difícil de ser compreendido, acredite, nem eu mesmo as vezes me compreendo…

Tracei planos para a minha vida, algo em mim vem mudando, já não acho graça nos balcões antes freqüentados, escondido por detrás da densa névoa da noite, muitas pessoas partiram do meu cais e ainda vejo suas velas balançando e desaparecendo num horizonte que a tempos vislumbrei.

As coisas estão mudando, sim, hoje sinto meus pés tocarem a terra, uma sensação que não compreendia até então, visões de uma vida, delírios de um sonhador, sua vida na minha já é uma coisa concreta, nossos destinos acabaram se fundindo e já não sei se consigo separar eu de você…

Aprendi de novo a confiar e essa confiança às vezes me deixa exausto a ponto de pensar em saber que estou fazendo a coisa certa…

Certeza van, ledo engano… E minha vida vai seguindo um curso diferente do original, e até acredito num por de sol de outono, nunca fui muito de reparar nas coisas a minha volta, acho que neste ponto ainda sou muito egoísta, mas ontem, quando sem querer me peguei pensando em você, contei doze folhas caindo no invernoque já está quase no fim. Pergunto-me sempre o que estou fazendo, porque insistentemente sua imagem aparece na minha tela mental e não consigo me desconectar de você, hoje após algum tempo, descobri que isso que eu sinto é um bem querer tão grande que já não sei não pensar em você, meu cérebro se condicionou a sua imagem e tempo e espera são coisas angustiantes que o que se quer é somente estar perto, Esconde-esconde, brincadeirinha de criança.
Queria escrever na mesma intesidade com que falo e penso,quero pensar nos dedos e colocar palavras, verbos, acentos graves, condicionadores e geladeiras. A vida é um carnaval sem fim!
Me fantasio de eu pra sobreviver, catar migalhas e receber trocados

Alguns diriam, nossa! Quem te viu quem te vê! Você! Tão dono de seus ideais, com medo!?

Medo não é sentimento de imortais e sim de nós, humanos, temos medo de perder o que conquistamos e por isso acabamos colocando em risco, tudo aquilo que batalhamos para conseguir, um segundo, um dia, uma semana, um mês… E quando mergulhamos em nós mesmos descobrimos vários disfarces escondidos em letras…

Essa dor aqui doi em quaquer parte, atravessa a casa, vasculha a alma e não cala.
É o vento, o tempo, um contratempo. Não sei qual é, não sei o que há, porém é real.
Vejo e nada enxergo, sou o um avesso sem verso. Um albatroz, um trem bala, uma vertigem…

Minhas lamurias já não as quero mais, descobri que sou mais forte e aventureiro do que supunha ser, descobri o que significa “ir a luta” nunca pensei dessa forma antes, acho que simplesmente deixava as coisas acontecerem, uma seqüência de fatos que se transformavam na minha história e que de uns tempos pra cá tem me mostrado que posso ser o senhor do meu próprio destino.

Sou meio atrapalhado, é verdade, as vezes o que quero dizer nem sempre é dito, a inconstância do meu humor me faz falar coisas que as vezes não deveriam ser ditas, sei que pareço o vilão por diversos episódios de nossas vidas, mas que seja, deixarei uma carta e acabarei o filme do lado do mocinho…afinal, esse direito eu conquistei, só preciso saber como fazer isso…

Palavras ditas do meu interior, hoje eu percebi como é bom escutar o que você diz a você mesmo, medos incautos, nunca me mostrei tão nu, e você me vê assim, somente você, com seus dedos finos consegue tocar meu coração, estou em estado de êxtase, um êxtase inebriante que me faz ouvir violinos a beira de uma praia qualquer, pelo simples fato de saber que mais tarde vou ouvir sua voz.

Destino, apologia, vida passadas, somatização, sonhos perfeitos de uma vida que a poucos metros de mim já começam a tomar uma determinada forma, forma esta em que você se tornou parte, alias, você é o personagem principal do meu enredo.

Adoro tempestades, embora algumas delas teimem em permanecer na minha vida, sigo o cotidiano de nossas conversas ao pé do ouvido, em noites as vezes nem tão enluaradas, meus travesseiros contam tantos segredos, e o mais precioso é você.

Um dia ainda compro uma caixa de cristal pra que possa colocar dentro cada nossa lembrança, e você sabe que escrever me faz bem, é o balsamo que minha alma necessita…

Eu sem você seria o firmamento sem as estrelas ou o mar sem suas ondas, detesto admitir isso, mas você me faz falta as vezes, e, ouso confessar ainda, tenho medo dessa falta.

Tenho muitos medos ainda, e sei que isso em determinados momentos te chateia, mas não se incomode.

Isso é de mim para mim mesmo, assim meio maluco. Sei que vou me compreender um dia e sei que mesmo longe, vai estar perto de mim, e de você, somos dois corações selados, independente do tempo e do espaço.

Sonhos nunca são em vão, sonhamos juntos, sonhamos separado, cada um com seu sonho, mas que no final se tornaram um mesmo objetivo, concreto, absoluto e indestrutível…

O que eu quero te falar que estou aprendendo a não ser todo emoção, digamos que estou com um pezinho ,lá, na razão e que sonhos são para serem sonhados juntos ou separados e que todo o amor do mundo hoje cabe em meu peito quando digo que quero apenas por um instante repousar no teu peito amigo, para poder com você sonhar todos os sonhos que guardei por anos a fio nos lugares mais recônditos de minha alma, e ver você com seu olhar puxadinho compreendendo todo o meu sentimento e fazendo com que tudo isso se torne presente neste instante em que chamamos de agora.

Lembre-se sempre: O ontem é história. O amanhã é um mistério. O hoje é uma dádiva.
E é por isso que se chama presente. Então, viva-o da melhor forma possível!

criado por refain    18:04 — Arquivado em: Sem categoria

1 de agosto de 2009

etruscas linhas

O preço da ousadia é caríssimo, às vezes se paga com a própria vida. Ou então, faz dessa vida mesmo um gostoso blefe. Temos facilidade para glamurizar a vida alheia. A nossa é sempre mais difícil, parece que todo mundo vive um romance americano blasé enquanto nós acordamos diariamente em pleno Almodóvar.
Minha vida tem sido assim: todos os dias tem sido vermelho, toda dor, todo rancor e toda a alegria têm sido intensos e controversos. É como se eu ouvisse Astor Piazzola de fundo.
Estou relutando em fazer análise, não sei o que há dentro de mim, tenho medos terríveis. Pode até parecer bizarro, mas sou muito feliz, embora essa vida sem glamur. Porque, esquizofrenicamente, desde criança, fico criando histórias, vivendo fantasias que, de certa forma, forjam um charme à minha vida.
Me passo por muitos outros, troco de cara, cabelo, perfume, troco a voz. Por vezes até vivencio ser outros eus, outras viagens de uma outra cabeça que não essa.
Não sei se é porque sou de uma geração que viu muito televisão, por vezes me pego protagonizando um seriado da minha imaginação. E, dia sim, dia não, me apego as narrativas da tv embalado pela glamurosa vida um ou outro personagem.
Componho personagens pra mim, adquiro novos figurinos, me perfumo e recrio novos episódios e temporadas.

Criar personagens, viver a vida como um filme é um recurso da minha esquizofrenia ou do ser humana para, reinventando, suportar a existência?

A vida é muito louca mesmo, por não conhecermos o script dessa história acabamos tendo de tomar decisões que na maioria das vezes implicam num risco. O que é a loucura da vida se não esse risco, a incerteza, a imprevisibilidade? Las Vegas, pois, é o entretenimento que imita a vida, o risco que se corre numa aposta no escuro. Ganhar ou perder esse é o jogo. Um jogo sem regras, afinal, se há regras, são ilusões que criamos para suportarmos o improvável da nova rodada.

“Na louca vida o recuo é necessário para um grande salto, um crescimento.”
A liberdade de alguém é mensurada pelas possibilidades de escolhas que tem, pelas cartas na mão. Escolhas implicam em riscos. Vou apostar alto no risco, vou abrir mão de um emprego público seguro, estável, mas de tão estável está me estagnando, criando ranços, embrutecimentos. Não vejo possibilidade de crescimento intelectual ou profissional neste trabalho e se, atualmente, sinto prazer nessa função é puramente por conta do salário que recebo ao fim de cada mês e pelas possibilidades de escolha que o dinheiro é capaz de nos proporcionar.

Quando um atleta pretende um grande salto ele recua. Na louca vida o recuo é necessário para um grande salto, um crescimento. No início do próximo mês começarei uma nova vida, olho do retrovisor do carro aquele menino, aquele adolescente. Eles acenam, são as memórias de outras épocas.

O homem que estou construindo exige mais de mim, exige tomada de decisão e se as escolhas serão acertadas, só o tempo a dizer. A vida é um pôquer, tenho boas cartas na mão, vou jogar. Na mesa enfumaçada, na embriaguez de um cowboy doze anos, só há uma certeza: a vida é muito louca mesmo.

criado por refain    14:45 — Arquivado em: Sem categoria
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