Cenas da Vida Urbana

Textos escritos nas solitárias noites sem luar

4 de outubro de 2009

Reportando II

Hoje, volto a sala vazia, onde me reporto a todo instante neste mundo paralelo, paradoxo do ser. Escrevo a você, mim mesmo, com o simples intuito do desabafo. há muito venho me reportando a você, quando as duvidas surgem e confesso por vezes isto tem sido acalanto a minha alma cansada.
Hoje a tarde cinzenta e fria, luz de velas, gosto das luzes das velas, me reportam mais uma vez a pensar nas coisas que tenho deixado de lado nos últimos tempos.
A cor cinzenta no céu, a agua revolta no mar, a chuva abranda o enorme vazio que há em mim, suas gostas soltas no espaço lavam meu corpo já cansado de procurar, acho que passei a vida inteira procurando, peguei atalhos, momentos bons onde acreditei por segundos na súbita existencia corpórea, por segundos que tudo havia se transformado.
Os atalhos da vida foram tantos que hoje me sinto mais duro que há tempos atrás.quando ainda acreditava nas pessoas, todas que tenho conhecido ultimamente, impregnadas em seus mundos, mais que nelas, mais que em mim, parece que sinto mais que todas, todas com suas ambições, mentiras, traições e isto já me cansa o Espírito, já não consigo mais parar para acreditar, um cético que acaba por escolher a solidão na dura e plena quietude de sua real alma incompleta.
Como um fio de navalha a vida separa as coisas de uma maneira engraçado e já me perco em pensamentos andando no meio da chuva fina e fria na tarde cinzenta de um domingo qualquer.
Queria tanto conhecer alguém, que fosse como eu, sentisse como eu, amasse como eu, acho que ser humanos assim estão em extinção, a alma incompleta dói e além da dor, como uma ferida que não cicatriza, vem a solidão de não ter com quem dividir a veracidade da vida cotidiana, a cidade já me cansa os olhos e talvez ano que vem eu me mude, queria uma casa com quintal, assim depois dos jantar poderia sentar e ver as estrelas no céu, meu condomínio esta vazio e meu quarto já não suporta o peso e a dimensão da minha ausência pressentida por mim.
Escrevo para você hoje, afim de espantar a solidão e meus pensamentos numa tarde cinzenta e fria, estou mais leve, mais livre aqui debaixo da fina garoa que lava meu corpo, meus pensamentos, mais ainda tenho muitos medos, medo de voar, de amar, de morrer, de ser feliz, medo da minha psicanalista que sabe em qual ponto a situação me afeta, medo de perder a inspiração, neste sentido acho ate que os ignorantes São mais felizes, as pessoas acabam esquecendo o que e preciso fazer, mas eu sei insistir. a gente acaba procurando no amor uma pureza impossível e por isso termino fazendo minhas as palavras de GARCIA LORKA, espero não te-lo cansado…
Perdi-me muitas vezes pelo mar, Com o ouvido cheio de flores recém-cortadas, com a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes me perdi pelo mar, como me perco no coração de alguns meninos, porque rosas buscam em frente uma dura paisagem de osso.
E as mãos do homem não tem mais sentido, que imitar raízes sobre a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos, perdi-me muitas vezes pelo mar, ignorante da agua, vou buscando uma morte de luz que me consuma, assim como quando me perco no coração de alguns meninos…

criado por refain    10:55 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por Marinna — 7 de outubro de 2009 @ 20:33

    Ai rafa, seus textos são demais. Vou vir sempre aqui ver o que tem de bonito e novo!

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