Cenas da Vida Urbana

Textos escritos nas solitárias noites sem luar

7 de outubro de 2009

As coisas nos seus lugares

Preciso repensar a vida! viver é bom, mas como doi!
Meu corpo anda pequeno e ja não suporta meus grilos, minha vulnerabilidade,
tenho medo da solidão, me sinto incompleto quando estou longe de casa, das minhas coisas, do meu mundo…
tenho receio que isso seja patologico
vai que tenho algum mal qualquer. O que o mundo se diverte não me atrai, as pessoas não gostam de filosofia e discutir a existencia humana por caminhos racionais parece muito chato aos que me cercam. Puts, vai ver mesmo que eu não sou daqui, sou de um planeta distante, as pessoas não querem mais conversar, apenas partir pro ataque sem dó nem piedade. estou cansado, quero alguma coisa que me complete, vou a rua tomar um sorvete de flocos!!!!

Estou procurando, estou procurando. estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar  com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não saber como viver, vivi um outro? A isso quereria chamar de desorganização, e teria a segurança de me aventurar porque saberia depois para onde voltar:

para a organização anterior. A isso prefiro desorganização, pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.

Loucura esse exercício de concentração. A disciplina é uma mulher traiçoeira, precisamos dela como precisamos de sexo só que com a vontade menos intensa!
Depois do gozo, da plena organização, você deixa de lado, finge que não sente falta e quando dá por si, tudo na sua vida está desandado. A danada vadia da disciplina foi-se embora pra viver com outro homem. Daí, com você, fica assim…a carta não foi enviada, a dissertação atrasou a data, o ipva não foi pago e a montanha de louça cresce na pia.
E no fim de noite, no início do ano, cheios de álcool e esperanças a gente se reencontra e eu faço mil promessas a ela. Deixaria de vez o cigarro, escreveria um texto por dia no blog e só compraria um livro novo quando terminasse de ler o anterior.
Não dá, não deu… Vêm as desculpas, os porém e quando você pensa que não, ela abandonou a sua casa. Daí vai tudo de novo: o re-entendimento, a reconciliação, as promessas.
Essa minha relação com a disciplina é idílica!
criado por refain    17:24 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por Marinna — 7 de outubro de 2009 @ 20:31

    Nossa Rafa, esse ficou demais! Sério mesmo! Amei.!

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